Procura Aí

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Eu Não Paro, Eu e Ana, A vida não para meu Pai.

Semana que fica eterna no meu coração. Começou no dia 17 de Junho... eu fui jantar com uns amigos, dentre eles, Ana Carolina, Daniel Jobim, Antonio Villeroy e Chiara Civello.
Saí de casa com Amanda (minha irmã) e chegamos ao Leblon depois de ter errado o endereço do restaurante :/ Somos os dois SUPER distraídos... Uma garrafa de champagne e taças em todas as mãos, era uma dupla comemoração, meu aniversário e da Chiara. No meio do Jantar, Ana me olha e diz, "Vamos cantar juntos em Sao Paulo?"... eu não levei a sério na hora, mas ela repetiu e completou.. "Vamos cantar "Eu não paro", eu ainda não cantei essa música nessa turnê"... ok.. era sério, e eu topei. Acordei com dois recados na secretária eletrônica do meu estúdio, um do Jerry, produtor da Ana e um da Ana pra gente ver o "Tom" da música, agora era oficial, eu ia dividir o palco com Ana, a gente já divide tanta coisa, somos tão parceiros de música e vida que, logo eu, que quase não saio de casa, me senti em casa em Sampa com o carinho de Ana e sua equipe de produção que praticamente me levou no colo até o palco : ) Cantamos duas noites ,20 e 21 de junho, eu fiquei comovido com o carinho do público e ali em cima do palco, eu e Ana, mais uma vez consolidamos a nossa parceria de música, e de vida.
Domingo 22, aniversário do meu irmão João. Cheguei em casa, de volta ao Rio, com um sentimento estranho, minha família mora em Recife, é de lá que eu vim, eu liguei pra casa da minha mãe, com certeza meu irmão estaria lá, meu pai estava muito doente já há vários anos, eu queria saber do estado dele também. Amanda tinha voltado pra Recife naquele dia, ela atendeu o telefone e no meio da conversa, ali, naquele instante, outro João, o meu pai, morreu. Eu pedi pra minha irmã tentar ser forte e cuidar da nossa mãe, me veio na cabeça "Eu pensei que fosse forte... mas eu não sou.. "... Peguei o primeiro vôo disponível e desembarquei em Recife, pela primeira vez, sem pai.
Dói... dói muito, eu me lembro de meu pai como um homem brilhante, cheio de vigor e idéias, uma cabeça que não parava de sonhar, de uma inteligência única... e me veio denovo outra frase "Se eu não sei, o que é sonhar.. faz tanto tempo.."... ele não sonhava mais, não idealizava mais futuro, e ali naquele dia 22, terminava o seu sofrimento, eu me senti egoísta por querer que ele estivesse vivo, mesmo no estado em que estava, mas não consegui lidar com a ausência de uma maneira mais sábia, eu não sou tão forte assim. Me lembrei do meu pai me dizendo, há muitos anos atrás, que eu deveria interpretar minhas canções e não "dar" pros outros como eu fazia, rs.. ele não entendia bem o ofício de compositor e queria, evidentemente, o melhor para mim, do jeito que ele tinha pra falar... pois é, nos últimos dias da vida dele, Ana realizou esse sonho, eu cantei minha parceria com ela em um palco, e acho que nunca fomos tão cúmplices como naqueles dois dias.. e como ele sempre quis, e sem que eu soubesse, realizei um dos desejos do meu pai. Acho que ele sabia.. esperou que eu chegasse em casa, estivesse junto da minha família, e também esperou que Amanda chegasse em casa... e só então, deu uma olhada final, pra ver se não tinha esquecido nada, e partiu, sábiamente, deixando além da saudade, grandes lições de vida. É isso , Eu não paro, Ana, minha amiga, obrigado pela oportunidade de realizar esse desejo. Pai, como você mesmo me ensinou, a vida não para.

2 comentários:

Fernando disse...

Muito bacana isso.
É uma das músicas que mais gosto no cd da Ana.
Que essa parceria não acabe nunca!
Abraços!

Anônimo disse...

Essa dor... essa eu entendo.
Que bom que você tem a poesia, a música, amigos, família...
Suceeeessssssoooooo!!!!
Ana